segunda-feira, 20 de novembro de 2017

A lã das ovelhas

Um texto interessante para refletirmos sobre o uso dos animais e a mercadorização das suas vidas!
Escrito pela  professora Sônia T. Felipe.

Um diálogo lanoso este: "Mas a ovelhinha até gosta que a gente tose sua lã, é muito quente. Afinal, a gente não leva o cão para fazer a tosa do pelo no verão?" Por acaso a gente cria cão para tosar e vender seus pelos? Então, é tudo igual, não?

“É mesmo! Tudo sempre tão igual que a gente vai voluntariamente ao cortador de cabelos e pede que nos raspe a cabeça duas vezes por ano, não vai?”
"Como assim?"
“Assim, ó (como usam falar as manezinhas da Ilha): você tem uma cabeleira cheia de cachinhos, farta e linda, aí na sua cabeça, há mais de cinquenta anos, não tem?”
"Sim, tenho". Pois é.
“Essa cabeleira protege você do calor, do sol queimando sua pele craniana, no verão, e do frio gelado no inverno! Você não a tira daí por nada desse mundo, tira?”
Imagina que, ao sair daqui, alguém lhe prenda o corpo, passe a navalha em seus cabelos, deixando você ali, em pânico, sentindo no crânio um frio do mal, total, tire suas roupas, seus tênis e meias, seu cachecol, e deixe você assim por dias, ao relento, sem nada para conter junto ao seu corpo o calor que é seu. Como você se sentiria? Acharia uma beleza que lhe houvessem tosado os pelos e deixado você tiritando de frio, acharia um favor imenso, que lhe tivessem levado o seu pelo para montar casacos e mantas de "lã" para gente que tem dezenas de substitutivos para se aquecer?
Não acharia. Então, por que pensa que as ovelhas acham isso uma delícia? Por que continua a tecer com a lã delas, a comprar mantas feitas com a lã delas, a usar casacos feitos com essa mesma lã? Por que se acha tão generosa com as ovelhas? Ainda crê que bebês nasçam em cabeças de repolho e que sejam trazidos para suas mães pela cegonha?
A ovelha tiritou de frio por dias e dias, noites e noites. Sem ninguém a se comover com sua agonia, seu medo e seu sofrimento. E, agora, tem gente aí, quentinha, com a lã que era do corpo dela. Acha mesmo que fizeram um grande favor a ela?
Acho que não acha não. Se a tosa é algo bom para ela, como o é para seu cão peludo, por que não tosa só pelo bem que isso causa ao animal? Tem que criar milhões deles para poder exercer sua bondade? Então, se diz "que ama e tem dó, precisa do que mais pra mudar?" (referência à música: Um dia eu parei pra pensar, de Eline Bélier, disponível na Soundcloud).
Pensata Animal nº 41 - Primavera de 2015 - www.pensataanimal.net

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Felinos: estratégias de ensino

Artigo escrito professor: Edson Silva.

Animais interessantes, os felinos despertam nos seres humanos os mais variados sentimentos, de adoração aos gatos, como no antigo Egito, ao medo dos felinos selvagens africanos. Sofrendo muito com a predação humana, os leões africanos e a onça pintada no Brasil, por exemplo, correm sérios riscos de extinção. Sendo a Biologia disciplina responsável por trabalhar pedagogicamente a zoologia na escola, ela deve ser "ferramenta" para um aprendizado científico e crítico por parte dos alunos. Desmistificar preconceitos contra esses animais e incluir conteúdos que possam ir além da sua anatomia e fisiologia, como seus comportamentos, sua estética e seu direito à vida, são tão importantes quanto aprender sobre o seu sistema digestório. Filmes, documentários, jornais, revistas especializadas, seminários sobre a temática, são algumas estrategias para o ensino prazeroso da zoologia.  A construção de um blog sobre felinos e a visita a sites especializados são outras possibilidades que cativam os alunos. As alternativas são muitas, o professor deve estudar e refletir sobre a sua prática e ir além das amarras do livro didático.

 
Foto: reprodução internet

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Chimpanzés também amam: a linguagem das emoções na ordem dos primatas

Se você tem interesse em comportamento humano e animal, vou deixar o resumo e o link da íntegra de um excelente trabalho, de autoria da professora Eunice Ribeiro Durham, que trata da questão natureza - cultura e faz um paralelo entre o comportamento, especialmente o emotivo, do homem e dos chimpanzés, apesar de ser um artigo até certo ponto antigo, vale muito ser estudado com atenção, boa leitura.

RESUMO - O objetivo deste artigo é o de chamar a atenção dos antropólogos para novos desenvolvimentos das ciências biológicas como os da Neurobiologia, da Primatologia e da Etologia, assim como os estudos recentes referentes à evolução. O resultado destes trabalhos recentes devem promover uma revisão das pressuposições antropológicas presentes na clássica oposição entre natureza e cultura. Este problema geral é analisado através de uma comparação entre homens e chimpanzés, a qual focaliza os componentes emocionais de comportamento dessas espécies, mais especificamente ainda, o artigo privilegia a análise do comportamento ''amoroso'', incluindo o sexual, e aquele presente nas relações entre mães e filhos, irmãos e amigos. Além disto, o trabalho também analisa a importância dos componentes emocionais para a constituição e preservação dos grupos sociais. Uma breve menção é feita quanto a hierarquia, agressão e alianças políticas. A comparação efetuada levanta questões referentes o incesto, à homossexualidade e o casamento, envolvendo um diálogo com a Psicanálise. 

Eunice Ribeiro Durham
Professora aposentada do Departamento de Antropologia-USP
Coordenadora do NUPES-USP

terça-feira, 21 de março de 2017

Como papagaios conseguem falar?

Muitos animais - incluindo focas, golfinhos e morcegos - são capazes de se comunicar vocalmente. Mas papagaios estão entre os poucos que podem imitar, de forma espontânea, membros de outras espécies. E um estudo conseguiu identificar a região do cérebro que permite que isso aconteça - uma região também envolvida no controle do movimento. A descoberta pode explicar por que os papagaios, assim como nós, podem dançar e falar. Sabemos que pássaros que conseguem cantar, incluindo papagaios, possuem centros nos seus cérebros capazes de apoiar as vocalizações. Mas, exclusivamente nos papagaios, existem áreas ao redor desses centros, chamadas de 'conchas'. Em volta das conchas existe uma terceira região que dá apoio ao movimento. Essa estrutura é compartilhada por vertebrados, mas o sistema das 'conchas' é único. Para compreendê-lo, foi analisada a expressão dos genes nesses caminhos em nove espécies diferentes de papagaios. Cientistas focaram em 10 genes que sabemos ser mais ativos nas regiões cerebrais de pássaros envolvidas com o canto.                                                     
Para continuar lendo acesse o link: 
http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2015/06/como-papagaios-conseguem-falar.html

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Insensíveis

Artigo escrito professor: Edson Silva.Pela natureza do meu trabalho profissional costumo andar muito de carro pelas cidades da Grande Florianópolis, e uma situação que tem me deixado extremamente triste e indignado é ver como determinados tutores, não são donos como eles pensam, tratam os “seus” animais de criação. Cavalos, bois, vacas, porcos e outros animais são colocados em pastos desprovidos de árvores ou qualquer tipo de abrigo contra o Sol escaldante do verão, cuja temperatura média em Florianópolis tem sido em torno de 30 graus! Muitas vezes observo que os animais ficam horas nesse suplicio, inclusive sem água, ou quando deixam água, a mesma fica exposta ao Sol. Absurdo! Gostaria de ver se esses indivíduos aguentariam ficar sem água, ou com água quente para beber, sem um lugar para se abrigar do Sol e de outras intempéries, como uma chuva forte. São verdadeiros abutres da vida alheia, o pior que muitos desses animais, depois de viverem uma vida miserável e desgraçada ainda têm como fim último a morte, para que estes mesmos indivíduos idiotas lucrem com seus corpos! Essa é a espécie que se intitula Homo sapiens!

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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

A tortura da marcação em animais

Artigo escrito professor: Edson Silva.

Parece absurdo, porém em pleno século XXI ainda vemos coisas grotescas acontecer com relação à vida dos animais. O homem, essa espécie que se auto-intitula Homo sapiens, parece não se importar com o sofrimento das outras espécies animais. Uma das torturas mais insanas é a marcação de animais a ferro quente, principalmente em regiões sensíveis do corpo, como a face do animal. Felizmente o número de pessoas sensíveis e indignadas com práticas cruéis contra os animais tem crescido consideravelmente.  Por ocasião do XXXIV - Encontro Anual de Etologia - Unesp - Jaboticabal - São Paulo, de 2016 , o Prof. Dr. Mateus José Rodrigues Paranhos da Costa, do Departamento de Zootecnia, Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias – UNESP Jaboticabal – SP, lançou uma Carta Aberta ao Ministro da Agricultura Blairo Maggi, sobre a preocupação com esses animais que sofrem essa dor injustificável. Dando inclusive ideias alternativas para a superação dessa prática cruel e desnecessária. Para ler o conteúdo na íntegra acesse o link:  http://www.etologiabrasil.org.br/sbet/Mocao_Marca_a_fogo_carta_aberta.pdf