segunda-feira, 4 de abril de 2016

Animais no cárcere

Artigo escrito professor: Edson Silva.

Quando eu era criança não tinha noção de que manter passarinhos presos ia contra a sua maior riqueza, a liberdade de voar.  Não tinha conhecimento de que meus cães e meu gato eram descendentes de animais selvagens, e um dia, num passado remoto, tinham outro estilo de vida.
 Não tinha consciência da absurda contradição de cuidar dos meus animais em casa e maltratar os outros na rua.   Maldita funda! Ainda bem que não era bom de pontaria!
  Mas um dia a criança cresce, vira adolescente, ainda inconseqüente, porém mais atinado. Estuda, mantém contato com outros escritos, daqueles que parecem escondidos, pois não há interesse que o grande público tome consciência.  E assim desperta para a triste realidade, a realidade de milhões de animais mortos, diariamente, para o deleite do homem dito civilizado. Nas indústrias alimentícias e farmacêuticas, nas universidades e institutos de pesquisa, e mesmo no mais sutil encarceramento, como nos zoológicos e parques aquáticos, o sofrimento dos animais é perpetuado. Não me esqueço de um zoológico que visitei, onde pude verificar in loco a tristeza no semblante de alguns animais.  O que mais me chocou foi ver um elefante num espaço pequeno, com uma cobertura improvisada que mal o protegia das intempéries naturais.  Este elefante estava, com certeza, sofrendo, pois o tipo de vida que estava levando era totalmente incompatível com a sua natureza. Os elefantes são animais muito sociáveis e que caminham muito, seu envolvimento afetivo com seu grupo social está mais do que provado na literatura especializada, portanto deixar um animal deste sozinho em tal ambiente, para a apreciação curiosa dos humanos, é um verdadeiro crime. Sobre os animais que estão sendo utilizados em esportes, os chamados “Animais Atletas”, apesar de todo o aparato tecnológico e médico veterinário que os acompanham, são submetidos a movimentos estereotipados e cargas de treinamentos que namaioria das vezes os levam ao padecimento.  São frequentes as lesões osteomusculares e os problemas cardiorrespiratórios que incapacitam os animais atletas para uma vida sadia e duradoura.   Sem contar os animais que são utilizados de forma clandestina, esses são tratados de forma cruel e selvagem, como os galos lutadores de rinhas. Mudar hábitos e costumes arraigados em uma determinada cultura não é tarefa fácil, e o interesse do autor não é recriminar ninguém por seu modo de vida, pois não tenho este direito.   Mas hoje, consciente do mal que fazemos a natureza e aos animais, tenho o dever ético de expor este estudo. Portanto, leitor, não veja neste escrito algo ofensivo, mais uma oportunidade de conhecimento, e a decisão de mudança e as consequências dos seus atos cabem a você, só a você.





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