segunda-feira, 25 de abril de 2016

De ouro, mercúrio e meio ambiente

O Brasil é um dos países com maior potencial mineral do planeta. As jazidas de ouro, ferro, carvão etc., tem sido um importante fator econômico. Entretanto, a legislação e a fiscalização da indústria mineral são deficitárias. Veja o caso de Mariana - MG!
O ouro, minério muito cobiçado e valorizado no mercado mundial, traz consigo ameaças desastrosas ao meio ambiente. Pois como elemento químico protagonista na extração do mesmo, temos o mercúrio, metal pesado, bioacumulativo e perigoso para as diversas formas de vida. As consequências, como temos visto nos noticiários, são a morte, a mutilação e a extinção de espécies.


Cientistas da Universidade de Minnesota nos Estados Unidos realizaram uma pesquisa em ambiente controlado com Tentilhões-zebra(Taeniopygia guttata), e verificaram que o metilmercúrio desencadeou uma série de problemas nas aves, como “neurotoxicidade, insuficiência reprodutiva, comportamento alterado e dificuldades de avaliação da predação”. Consequências que podem reduzir a capacidade da espécie de se alimentar e através da cadeia trófica chegar a outros organismos vivos, inclusive o homem.


quarta-feira, 6 de abril de 2016

De sentimentos, afeto, cultura e consciência

Artigo escrito professor: Edson Silva.

Até pouco tempo era muito temerário um cientista, fosse um antropólogo, biólogo etc., afirmar que um primata ou outro animal poderia ter consciência, cultura ou interesses deliberados. Dizer que um chimpanzé ou um golfinho tinham relações afetivas e classificá-las como consciente era um risco a ser corrido no meio acadêmico. Entretanto com pesquisas de campo na área da etologia cognitiva e social, e com o aporte científico da neurociência isso já não pode mais ser negado, nem mesmo pelos cientistas mais céticos. Trabalhos de décadas na área da etologia como os realizados por Marc Bekoff, Jane Goodall, Frans de Waal e outros, e mais recentemente por neurocientistas renomados como Philip Low, colocaram por terra a pretensa exclusividade da consciência, da afetividade, da senciência e talvez até da autoconsciência para os humanos. Isso nos remete a um sério dilema ético de como estamos tratando e considerando os animais!

http://revistapesquisa.fapesp.br/2015/09/15/conversa-de-sagui-2/

http://www.revistas.usp.br/ra/article/view/27174/28946

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Animais no cárcere

Artigo escrito professor: Edson Silva.

Quando eu era criança não tinha noção de que manter passarinhos presos ia contra a sua maior riqueza, a liberdade de voar.  Não tinha conhecimento de que meus cães e meu gato eram descendentes de animais selvagens, e um dia, num passado remoto, tinham outro estilo de vida.
 Não tinha consciência da absurda contradição de cuidar dos meus animais em casa e maltratar os outros na rua.   Maldita funda! Ainda bem que não era bom de pontaria!
  Mas um dia a criança cresce, vira adolescente, ainda inconseqüente, porém mais atinado. Estuda, mantém contato com outros escritos, daqueles que parecem escondidos, pois não há interesse que o grande público tome consciência.  E assim desperta para a triste realidade, a realidade de milhões de animais mortos, diariamente, para o deleite do homem dito civilizado. Nas indústrias alimentícias e farmacêuticas, nas universidades e institutos de pesquisa, e mesmo no mais sutil encarceramento, como nos zoológicos e parques aquáticos, o sofrimento dos animais é perpetuado. Não me esqueço de um zoológico que visitei, onde pude verificar in loco a tristeza no semblante de alguns animais.  O que mais me chocou foi ver um elefante num espaço pequeno, com uma cobertura improvisada que mal o protegia das intempéries naturais.  Este elefante estava, com certeza, sofrendo, pois o tipo de vida que estava levando era totalmente incompatível com a sua natureza. Os elefantes são animais muito sociáveis e que caminham muito, seu envolvimento afetivo com seu grupo social está mais do que provado na literatura especializada, portanto deixar um animal deste sozinho em tal ambiente, para a apreciação curiosa dos humanos, é um verdadeiro crime. Sobre os animais que estão sendo utilizados em esportes, os chamados “Animais Atletas”, apesar de todo o aparato tecnológico e médico veterinário que os acompanham, são submetidos a movimentos estereotipados e cargas de treinamentos que namaioria das vezes os levam ao padecimento.  São frequentes as lesões osteomusculares e os problemas cardiorrespiratórios que incapacitam os animais atletas para uma vida sadia e duradoura.   Sem contar os animais que são utilizados de forma clandestina, esses são tratados de forma cruel e selvagem, como os galos lutadores de rinhas. Mudar hábitos e costumes arraigados em uma determinada cultura não é tarefa fácil, e o interesse do autor não é recriminar ninguém por seu modo de vida, pois não tenho este direito.   Mas hoje, consciente do mal que fazemos a natureza e aos animais, tenho o dever ético de expor este estudo. Portanto, leitor, não veja neste escrito algo ofensivo, mais uma oportunidade de conhecimento, e a decisão de mudança e as consequências dos seus atos cabem a você, só a você.





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sexta-feira, 1 de abril de 2016

Harpia harpyja ameaçada




A capacidade, muitas vezes irresponsável, que o homem tem de alterar a natureza tem feito verdadeiro estrago na biogeografia do planeta. Desmatamentos, poluição das águas, da atmosfera e contaminação do solo parece não sensibilizar a denominada espécie homo sapiens, antropocêntrica e egoísta, pensa que os recursos do planeta são infinitos, que as demais formas de vida existem para lhe servir e acredita, cegamente, como dizia Saramago, que este planeta suportará tanta crueldade ad aeternum.
Nas árvores mais altas: de dois ovos, em geral apenas um filhote sobrevive
Faço esta introdução para dizer que uma das aves mais belas do Brasil, a harpia (Harpia harpyja), está seriamente ameaçada em virtude do desmatamento florestal, essa é a conclusão que chagaram cientistas brasileiros após estudos onde constataram perda da diversidade genética, essencial para a manutenção da espécie.   http://revistapesquisa.fapesp.br/2016/03/21/harpias-perdem-diversidade/