terça-feira, 5 de julho de 2016

EVOLUÇÃO: uma teoria inconveniente

Artigo escrito professor: Edson Silva.

Temos visto no Brasil, país supostamente laico, uma intromissão teológica nos assuntos de Estado de fazer inveja a qualquer ditadura teológica passada ou contemporânea. Pastores, padres e toda uma plêiade de sacerdotes de todos os matizes desfilam pelo parlamento brasileiro e dão entrevistas aos diversos meios de comunicação de massa falando de teorias científicas e criticado-as como se fossem prêmios Nobel da ciência, especialmente da ciência biológica. Passado o riso, o que me fica é o espanto, espanto de ver pessoas que nada sabem de ciência, metodologia científica e biologia emitirem opiniões equivocadas e românticas sobre Evolução, Seleção Natural e outros temas científicos, e a acolhida “acéfala” de grande parte da imprensa brasileira. Ora, esses senhores, que se arvoram em arautos dos seus “rebanhos”, como eles mesmos se definem, deveriam ser mais modestos e menos arrogantes, abdicarem de pseudos discursos científicos e se limitarem a suas divagações teológicas! Para eles, nobres hipócritas da palavra, a teoria da evolução é uma teoria muito inconveniente!
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A proposta deste escrito é fazer uma crítica radical a essa intromissão descabida e imprópria da teologia em assuntos científicos e de Estado, quando este mesmo Estado, deve, segundo sua própria Constituição, ser laico e desprovido de ideologias religiosas. Quando falo “uma crítica radical”, estou me referindo a uma crítica que pega o problema pela raiz, que vai ao encontro do mais profundo, daquilo que não é dito, mais é defendido, ou daquilo que é tido mais é manipulado, maquiado, ou para falar de forma semântica, daquilo que tem sentido ideológico. 

Sabemos através da narrativa histórica que a teologia, principalmente a teologia cristã, primeiramente com o catolicismo e depois com o protestantismo em suas diversas expressões, sempre teve a filosofia como serva da teologia, escravizando-a de acordo com os seus interesses. Ora, isso pode ser dito, em certa medida, sobre a relação entre ciência e teologia, sabedores que somos sobre os muitos descalabros e impropérios que a teologia vez a ciência passar. Casos emblemáticos na História da Ciência não faltam, só para citar, o esdrúxulo julgamento de Galileu, que apesar de todos os seus estudos e experimentos empíricos teve que abdicar da sua certeza de que o sistema solar era heliocêntrico para escapar da morte, como herege, na fogueira santa. Sobre o destino cruel de Giordano Bruno - a igreja dizia que sua cosmologia era herética e diabólica - todos nós sabemos, foi “torrado” na fogueira santa da Santa Inquisição. Portanto, sem meias palavras, a despeito do que pastores, padres e demais religiosos possam pensar sobre este escriba, provavelmente vão me condenar ao fogo do inferno, deixem a ciência em paz, larguem do pé dela, cuidem de suas divagações metafísicas e não se intrometam onde não devem e não fazem falta. Se tivermos (a ciência), alguma área do conhecimento para fazer uma parceria fecunda, e tem sido feito, é com a ética, principalmente a Ética Prática no estilo Peter Singer, a teologia não tem nada a contribuir significativamente para com a ciência, ao contrário, pode atrasá-la e até prejudica-la.

Bem, não estou aqui para fazer uma apologia a favor do ateísmo, pois isso já foi feito de forma retumbante por Richard Dawkins, em seu Deus: um delírio. Estou aqui para dissertar e advogar, apesar de não ser advogado e Darwin não ter pedido isso para mim, a favor da ciência e da Teoria da Evolução e de seus corolários, especialmente da seleção natural. Portanto, aos religiosos que se sentirem ofendidos, sugiro, da próxima vez que sentirem uma dor e qualquer patologia surgir, que não busquem um bom médico, embasado em conhecimento científico, mais façam uma dança ao redor de uma fogueira e orem para Thor, Zeus, Baal ou no que acreditarem! O contrário disso foi o que fez um famoso pastor evangélico, apesar de em suas pregações noturnas ao vivo em rede nacional de televisão prometer curar todo o tipo de dor, exorcizar demônios e curar doentes mentais, quando foi à vez dele ficar doente correu para o Hospital Sírio Libanês em São Paulo, referência no que há de mais moderno na medicina científica e tecnológica atual!