quarta-feira, 16 de março de 2016

Experimentação animal

     Uma das práticas na ciência que tem sido objeto de muita polêmica é, sem dúvida, a experimentação animal.  Aplicação milenar e consagrada na ciência, Aristóteles e Hipócrates, na Grécia Clássica, já utilizavam animais em seus estudos, vive atualmente um autêntico dilema ético e, sobretudo, epistemológico.
     Olhando para a História da Ciência podemos afirmar que foi com Galileu que a técnica e a observação foram alçadas a categorias matematizáveis, ou seja, observa-se, experimenta-se e comprova-se estatisticamente. Ora, se é com Galileu que temos uma nova forma de olhar o fenômeno nas ciências físicas, o mesmo, pode-se dizer, acontece com a fisiologia. William Harvey (1578-1657), médico e fisiologista inglês, foi um grande entusiasta da observação direta, principalmente em animais. Como resultado de seus estudos, publicou em 1628 “Exercitatio Anatomica de Motu Cordis et Sanguinis in Animalibus (Estudo Anatômico sobre o Movimento do Coração e do Sangue nos Animais)”, obra na qual inaugura a extrapolação das conclusões observadas diretamente em animais para os seres humanos.  A partir deste contexto de pesquisa e na esteira do Sistema Filosófico Cartesiano, que via os animais através de uma lente mecanicista, inclusive com a idéia que os mesmos não eram suscetíveis a dor, os animais não - humanos passaram a fazer parte rotineira dos laboratórios de pesquisa em universidades e institutos.  Era lógico pensar, de acordo com  as concepções cristãs e cartesianas que se os animais estavam sujeitos aos homens e não eram sensíveis a dor, que os mesmos pudessem ser utilizados como cobaias em experiências e trabalhos científicos.
Foto: Anda - Um olhar vale por mil palavras
     A situação para os animais se agrava, a partir do século XIX, com a elevação da biologia ao status de ciência positiva, notadamente com os trabalhos realizados pelo fisiologista francês Claude Bernard (1813-1878), Bernard tinha verdadeira obsessão pela observação direta e pela experimentação, inclusive era adepto da vivissecção, utilizando animais vivos em suas experiências, seu desprezo pela dor dos animais era tanta, como pode ser lido em sua "Introdução à Medicina Experimental", publicada em 1865, que sua esposa, Marie-Françoise Martin, mais conhecida como Fanny Bernard, separou-se do mesmo por não concordar com tanta tortura e descaso pelos animais. Pouco tempo depois, Fanny Bernard tornou-se militante e defensora da causa antivivisseccionista.